O MULTIVERSO – UMA BREVE VISÃO

Alguns dos maiores Cosmólogos e Físicos da atualidade apostam suas carreiras acadêmicas no que é conhecido como “Multiverso“. O tema é um tanto quanto que complexo mas mesmo assim, apaixonante. As teorias indicam que o Universo em que vivemos não seria o único e que poderiam existir sim, vários universos em algo ainda maior e mais fabuloso, o Multiverso.

Seguidamente notaremos que certos conceitos se confundem entre Física, Matemática, Filosofia, Metafísica entre outras áreas do conhecimento, até mesmo com a Religião. E isso é natural pois desde que abrimos nossos olhos, acreditamos que tudo que existe esta encerrado dentro de algo fechado, escuro em um único, imenso e talvez infinito Universo.

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Mas como algo tão imenso pode se tornar uma unidade dentro de algo ainda maior? Onde então estariam os outro “Universos”? Seria possível passar para outro?

Tentarei responder com um pequeno exemplo na forma de pergunta: Em uma régua numerada de 1 a 5 cm, quantos números existem entre 1 e 3? Os menos letrados em matemática (Que só conhecem os números inteiros), diriam “apenas um número, o 2“; alguns mais espertinhos diriam que existem infinitos números, desde digamos 1.000001 até 2.99999”. E vou ficar por aqui, nem vou entrar no conjunto dos Números Complexos!

Ora, uma régua é um conjunto finito de números mas sabe-se que sempre poderemos dispor, por exemplo, números entre 1 e 2 cm ou irmos dividindo cada vez mais. Assim seriam os Universos, infinitos em tamanho mas lado a lado em distancias minimas, sempre aumentando seu tamanho mas talvez nunca tocando no próximo.

As Teorias chamam de Hiperespaço ou Massa, o “ambiente” onde estariam todos os Universos. Evidentemente em um ramo de conhecimento tão novo, vasto e complexo, existem muitas divergências. Há quem afirme que esses universos poderiam inclusive se tocarem ou que suas gravidades poderiam ser sentidas em universos adjacentes (Matéria Escura?). Há propostas inclusive de se desenvolver aparelhos que utilizariam a força gravitacional para manter uma comunicação com outros habitantes de outros espaços.

Estas teorias de Mundos Paralelos não nasceram hoje e praticamente todos os filósofos já as comentaram de alguma forma. Entretanto podemos dizer que esta idéia começou a se firmar Matemática e Fisicamente como algo plausível após o surgimento da Mecânica Quântica, durante a primeira metade do século XX. Também a descoberta de outras Galáxia em um Universo em Expansão  por Edwin Powell Hubble e pelo seu colega Milton L. Humason no final dos anos de 1920 colaboraram para isso.

Neste primeiro artigo não vou me aprofundar e serve apenas para levar o leitor que ainda desconhece o termo a ter uma rápida visão de que, podemos sim, estarmos dentro de um Universo que faz parte de algo ainda maior, e também infinito. Quero deixar claro que este blog é puramente cientifico, sem se envolver no reino teologico ou algo assim. Mais adiante (Atenção ao Spoiler!), vou descrever os principais tipos de Universos que podem existir culminando com a revelação de que podem existir Universos Gêmeos, idênticos ao nosso com cópias de tudo que existe, inclusive de você e eu!

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Muito Antes do Big Bang

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Muito se fala do grande evento que teria criado nosso Universo, o Big Bang. Apesar dele possuir fortes seguidores e algumas evidencias, tem um grande problema: O que havia antes?

Essa Teoria parece aqueles sonhos onde temos certeza que estamos realmente acordados, mas estamos completamente nus em um lugar estranho, com automóveis sendo guiados por coelhos sem que ninguém fale nada ou se importe com isso. Apenas aceitamos que aquilo é real.

Ora, a Teoria é muito bela e funciona bem literalmente após o Big se aceitarmos sem questionar o que havia antes, o que gerou o Bang. Ai que entra a famosa equação de Einstein: E=mc 2 . . Apenas três  elementos em uma equação simples mas que mudou completamente o mundo em que vivemos. Ela diz que a quantidade de Energia  resultante seria igual a quantidade da massa de que dispomos multiplicada pela velocidade da luz ao quadrado. Só isso. A velocidade da luz é de 299.792.458  metros/segundo, ou aproximadamente  300.000 km/s . Pegue agora o resultado de 300.000 x 300.000 e multiplique pela massa. Sera um valor fantástico de Energia, mesmo para um grama de massa.

O mais incrível nesta simples equação é que ela nos dá a conclusão de que Massa e Energia são a mesma coisa! Voce pode transformar Energia em Massa e vice-versa. Então, imagine que todos os corpos que existem no Universo atualmente, até onde alcançam nossos equipamentos e todos além deste horizonte cósmico visível fossem somadas suas massas e convertidas em Energia. Dispensável dizer o tamanho desse numero.

Então, o ponto que deu origem ao Bang nada mais foi do que toda essa  Energia transformando-se instantaneamente em Massa, criando assim o que chamados hoje Universo. A matéria, as coisas em si não saíram então do nada como aparentemente mostra a Teoria, mas sim vieram da Energia, o que nos leva novamente a pergunta: mas de onde veio esta Energia?

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Logicamente que os Teólogos prontamente diriam que seria a Energia Divina que desejou criar tudo, uma energia imensurável. Se esta Energia é o tal Deus que eles chamam, e Deus como dizem é Infinito, então essa Energia tenderia a ser infinita e a Massa originada também seria Infinita, viveríamos em um Universo infinito.

Entretanto, se conseguirmos demonstrar que pelo menos o nosso Universo é finito, essa Energia primordial que deu origem a tudo, apesar de enorme, seria mensurável, contrariando a ideia de ter sido cirada por algum Deus ou entidade qualquer. A não ser é claro, um Deus poderoso mas limitado, talvez criado por uma civilização bilhões de anos à nossa frente.

Max-TegmarkMas porque coloquei Deus na jogada? Ora, quem acredita que Deus criou o Universo, deve acreditar também que o Universo seja Infinito, com infinitas galaxias, planetas e Terras iguais à nossa, com copias de pessoas que teriam diferentes arbítrios nestes mundos. Com uma energia infinita, existiria o Multiverso Repetitivo, defendido por Cosmólogos como Max Tegmark (Fisico e Cosmologo do MIT),  que defendem essa linha de pensamento. Consequentemente os Doppelgangers ou Duplos Cósmicos  não seriam fantasias. O Multiverso Repetitivo seria composto de copias de tudo à distancias inimagináveis, mas neste mesmo espaço e tempo.

Mais recentemente surgiram nova ideias sobre o que havia antes do Big Bang ou o que o teria causado. Uma delas fala das Membranas (ou Branas). Segundo Paul Steinhardt , Existiriam verdadeiras membranas tridimensionais em uma outra dimensão e quando duas Branas se tocam criam Big Bangs dando origem assim a novos Universos. Talvez a matéria escura seja na verdade a gravidade de outra Brana muito próxima.

Nós, cientistas, não gostamos de aceitar que algo saiu do nada em um passe de magica ou pela decisão de alguma entidade. Poderíamos por capricho dizer “…bem, o que aconteceu antes do Big Bang não cabe  á Física explicar. Vamos começar a trabalhar a partir dele e pronto!“.

Da mesma forma que um Biólogo não pode explicar o funcionamento de uma TV por fugir de sua área, talvez a Física não consiga explicar o que havia antes. Mas não é por isso que os Físicos devam acreditar ou aceitar prontamente que tenha sido uma obra divina. Antes da energia se condensar em matéria, não existiam leis da Química,  Biologia e muito menos das ideias humanas, da arte etc.

A Física teria nascido neste exato momento, juntamente com a Matemática. Talvez então, muito antes desta possível colisão de Membranas Cósmicas existiriaa apenas a Matemática ou outra ciência que ainda não desenvolvemos.

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Além do Multiverso

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Esta primeira postagem procura dar uma visão geral dos assuntos que serão tratados neste blog. Quando a raça humana finalmente achava que já sabia tudo (ou quase tudo), um novo mundo se abre à sua frente. Coisas que pareciam terem saído de filmes de ficção ou de lendas urbanas tornaram-se possíveis da noite para o dia. Vários ramos da Física e Cosmologia apontam que há mais coisas que não vemos e quem nem mesmo nossos equipamentos conseguem detectar, mas existem e podem estar literalmente à nossa frente. É possível sim que, o que sempre conhecemos como Universo pode ser na verdade um pequeno elemento em um conjunto ainda maior e infinito. Se antes já era difícil explicar o nosso Cosmos, imagine agora.

Vamos começar pelo principio de tudo (ou o que pensamos que seria o começo de tudo). Para algumas religiões o inicio de tudo estaria no Livro do Genesis com a celebre frase que até mesmo Ateus como eu sabem: “No inicio a terra era vazia e sem forma e as trevas cobriam o abismo…”, ou mais ou menos isso. Esta, com certeza, não é a verdadeira resposta apesar de ser uma bela fabula. Entretanto, para muitos cientistas, a origem de tudo estaria no Big Bang, quando a partir de um único, denso e microscópico ponto surgiu tudo que conhecemos. Que também pode não ser a verdade, mas esta bem próxima porque se baseia em estudos e não na fé ou imaginação. Mas, e o que havia antes deste ponto? Desta singularidade? Seria mesmo o Big Bang o Genesis Cósmico?

Eu não concordo plenamente com essa ideia por vários motivos. Se o “nosso” Universo (que chamarei neste Blog e em outros que escrevo por ‘Universo 0‘), for realmente infinito, ele, o Universo infinito não poderia estar totalmente concentrado em uma única partícula no inicio de tudo. A menos é claro que o que se chama de Universo não seja o espaço em si entre os corpos e alem deles mas apenas o conjunto de todos os elementos que compõe o Cosmos, como Galaxias, Estrelas, Planetas, Buracos Negros, Matéria Escura, Energia Escura etc.

Desta forma sim então o ponto inicial (o Átomo Primitivo, como disse Georges Lamaitre), conteria tudo em um dado instante a 13,7 bilhões de anos e que por alguma razão teria “explodido”. Ora, mas se neste estado critico não haviam ainda leis da Física, porque isso teria acontecido? Este ponto poderia ter ficado lá eternamente mas algo, uma mudança ocorreu e tudo literalmente voou pelos ares. Se algo aconteceu, um fenômeno físico despertou – não existe reação sem ação (Terceira Lei de Newton). Isso leva a crer que existia algo antes do Grande Bang.

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Bem, se a quantidade de “coisas” (matéria, energia etc), era e ainda é limitada então o Universo é finito, mas o espaço em si não. Neste caso, o espaço não seria exatamente como compreendemos no dia a dia, mas algo completamente sem partícula alguma e sem nenhuma propriedade Física. Absolutamente nada para impedir, dificultar ou acelerar a expansão do próprio Universo. Posso descrever essa ideia de um espaço crescendo dentro de um vazio fazendo uma analogia entre uma bolha de azeite de oliva dentro de um imenso copo com água sem paredes. Por mais que a bolha de óleo cresça, jamais chegaria a algum lugar pois o espaço em volta, a água no copo é infinita.

Resumindo, o que chamamos de Universo seria apenas uma bolha de coisas, propriedades físicas inflando dentro de um infinito vazio despido de qualquer propriedade física. Este Hiper Espaço poderia estar preenchido de outras bolhas de Universos originais ou resultado da divisão de outras bolhas (Universos). Cada Universo original teria propriedades físicas únicas e os resultantes do partilhamento deste e/ou de outros Universos, teriam propriedades físicas iguais . Nosso Universo (nossa bolha de óleo como na comparação), poderia ser resultante da divisão de outro ou ser totalmente original. Sendo original, como surgiu? Será que sempre existiu assim  como o Hiper Espaço sempre existiu?

A busca da Física agora é identificar estes outros Universos. Aparentemente não haveria dificuldade de uma partícula ou informação viajar de uma bolha a outra, visto que não existe o sentido de distancia entre elas. Mas, sendo um meio totalmente inerte poderia ocorrer duas coisas: Ele, o Hiper Espaço impede qualquer comunicação entre os Universos ou, por ser totalmente sem propriedades, não impediria nada. Poderíamos fazer contato com outros Universos? Bem, isto comento em uma próxima postagem!

Leia mais a respeito em:
Abismo do Tempo